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Dependência da internet já ouviu falar?

Na imprensa americana, faz sua primeira menção em 1995, a Dependência da Interne. É uma nova classificação de transtorno mental que ainda não foi reconhecida oficialmente pela Medicina e pela Psicologia, mas que já se faz presente em vários países do mundo causando sérios problemas de adaptação em jovens e adultos.

Existe desacordo quanto à definição desta forma de comportamento dependente, mesmo entre os que consideram o abuso da Internet uma perturbação distinta. Segundo Young (1999), é polémico definir clinicamente o uso patológico da Internet pela extensão dos critérios estabelecidos para as dependências de substâncias. Isto porque o uso da Internet, ao contrário do uso de substâncias químicas, oferece benefícios directos (tal como o avanço tecnológico nas sociedades) não devendo ser encarado como um vício.

Seus sintomas do uso patológico da Internet surgem em populações normais, sendo possível possuir indicadores ligeiras da maioria dos sintomas, ou mesmo severos indicadores de todos eles, enquanto se leva uma vida normal. No entanto, os níveis de utilização da Internet podem estar, nesta situação, a encaminhar-se lentamente para níveis problemáticos.

Pelo fato da Internet estar associada à realização de atividades acadêmicas, profissionais ou mesmo sociais, o uso excessivo ainda não é facilmente detectado por familiares ou profissionais de saúde. Assim sendo, a dependência se estabelece quando o individuo “não mais consegue” regular o tempo de uso, ficando aprisionado em atividades virtuais como, por exemplo, jogos on-line ou mesmo em redes sociais.

Uma das características é entre os “dependentes de Internet” as seguintes características: um início recente de utilização da Internet ( menos do que 6 meses), com uma carga horária média de 38 horas/semana, com padrão de aumento rápido do número de horas “on-line” enquanto que entre os “não-dependentes” o uso de Internet era superior a um ano, não apresentavam padrão de aumento rápido do número de horas.

A quantidade de horas de utilização de Internet considerada como normal é ainda motivo de discussão na literatura.O uso de mais de 38-40 horas/semana ou 5-6 horas pode dia constituir um indício de dependência embora, alguns autores tenham relatado o mesmo padrão de dependência em indivíduos que usam Internet de 8 a 11 horas por semana (Grohol,1997). O número de horas não é uma variável adequada para se determinar a presença ou não da dependência.

Usualmente, esta dependência se desenvolve quando o indivíduo apresenta quadros de depressão, transtorno bipolar do humor ou ainda quadros de fobia social. Desta forma, a Internet acaba servindo como um meio destas pessoas regularem o seu humor, ou seja, quando estão se sentido mal, buscam se conectar e assim experimentar alguma forma de alívio. Na Internet as pessoas conseguem também exibir mais livremente um tipo de atitude que muitas vezes não conseguiriam ter na vida real. Assim, aquelas pessoas que são mais fechadas, por exemplo, na vida virtual se tornaram mais extrovertidas. Aquelas que estão mais deprimidas, ao teclar com alguns amigos virtuais, se sentiriam mais amparadas.

Alguns comportamentos podem ser observados: Ficar mais tempo conectado do que o planejado (até tarde da noite, ao longo dos finais de semana, por exemplo); preferir estabelecer relações com amigos virtuais em vez de amigos do mundo real (ou seja, negligenciar a atenção com a família e com o circulo social); deixar de lado as atividades que precisariam ser feitas para poder ficar mais tempo conectado; observar prejuízos no trabalho, escola ou mesmo nas relações pessoais; mentir a respeito do tempo que esteve conectado; tentar reduzir o tempo de navegação, mas não conseguir. Todos estes elementos juntos ou mesmo separados já seriam fortes indícios.

As conseqüências deste uso patológico são a perda de emprego, mau desempenho escolar, divórcios ou rupturas de relacionamentos afetivos e familiares, isolamento social, gasto excessivo de dinheiro com Internet levando a dívidas expressivas, descuido com a própria aparência e saúde física.

Os “dependentes” de Internet buscam a Internet, sem um objetivo definido, com preferência pelos “chats” e grupos de bate-papo, enquanto, que os usuários não-dependentes utilizam a Internet com um objetivo mais definido, e em geral em busca de uma informação seja ela técnica ou de uso pessoal e em geral, nos sites da web. Este estudo sugere que os indivíduos com dependência por Internet utilizam este instrumento não pelo seu principal recurso (informação), mas para estabelecer contatos virtuais que se tornam prioritários e as vezes exclusivos em relação aos reais.

Os pacientes adultos devem se submeter a tratamento em psicoterapia (terapia cognitiva, preferencialmente) e buscar ajuda psiquiátrica, dependendo do estado geral, por indicação do psicólogo. No caso de adolescentes, além do paciente, é interessante que a família também receba orientação em como conduzir a ajuda e também para observar se a fuga do(a) filho(a) ao mundo virtual, não pode ser entendida com uma forma de escape das relações familiares.

 

 

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Janaina Feitosa

Categoria: Saúde | Comente aqui »

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